Alimentação Anti-inflamatória


 

 

Alimentação Anti-inflamatória

 

Por Dr. Alessandro Loiola

 

Uma pesquisa publicada recentemente na famosa revista Anais de Medicina Interna avaliou o controle dos níveis de gordura no sangue em pessoas jovens e o risco de doença coronariana mais tarde. No estudo coordenado pelo Dr. Pletcher, do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade da Califórnia, os pesquisadores defendem mais uma vez que a dislipidemia (aumento dos níveis sanguíneos de colesterol e triglicerídios) causa doença coronariana. Este tipo de posicionamento faz parte da Doutrina do Colesterol, uma tendência iniciada nos idos de 1970 (veja a coluna A Comida e Você).

Em todas estas décadas, a paranóia obsessiva de controle do colesterol não levou a uma redução na incidência ou prevalência das doenças cardiovasculares. Pelo contrário: o foco errado resultou em uma epidemia de gente obesa e com complicações relacionadas ao diabetes. Nada menos que 25% das pessoas que sofrem um infarto apresentam níveis de gordura no sangue dentro do normal, sugerindo que os benefícios em reduzir o colesterol LDL pouco ou nada tem a ver com o bendito colesterol LDL em si. O segredo do lance parece estar em como isto é feito. No caso específico da pesquisa do Dr. Pletcher, através da prescrição de drogas da classe das Estatinas.

Antes que você comece a escrever sua própria versão conspiratória envolvendo indústrias farmacêuticas bilionárias, vamos explicar o que as estatinas fazem. Além de reduzirem o colesterol, as estatinas também são potentes anti-inflamatórios. Esta propriedade parece variar entre os diferentes tipos de estatinas, mas uma coisa é certa: todas elas são capazes, em menor ou maior grau, de reduzir a inflamação. E este, meu amigo, minha amiga, é o pulo do gato.

Infarto

Há muito se sabe que medicamentos anti-inflamatórios podem reduzir seu risco de infarto. Vide, por exemplo, o pequeno milagre que atende pelo nome de Ácido Acetil Salicílico (ou AAS). Incontáveis outras evidências mostram que a inflamação crônica das gengivas também pode aumentar o risco de ataque do coração.

Entre AAS, gengivites e estatinas, o denominador comum da redução do risco para doenças cardiovasculares está na redução dos processos inflamatórios. Quanto menos inflamação crônica no seu organismo, menor o risco de doenças cardíacas e outras tantas moléstias.

Acontece que na busca desenfreada pela redução o colesterol, o sujeito adota uma série de outras medidas saudáveis que – estas sim – diminuem o risco de infarto. Em nome do “combate ao colesterol”, você começa a praticar regularmente atividades físicas e selecionar o que come. Diminui a ingestão de açúcar e calorias totais, e passa a dormir mais cedo e melhor.

Com as reservas de sono plenas de descanso, a redução na ansiedade facilita o gerenciamento do estresse do dia a dia. E todo um ciclo virtuoso tem início. Mas isso não teve a ver com a redução do Colesterol LDL. Isso teve a ver com a mudança de atitude. O LDL foi apenas um pavio. Ele nunca foi a bomba.

Na sequência da tétrade para promoção da saúde Sono, Dieta, Atividade Física e Controle do Estresse, o segredo do segundo item (Dieta) está não na preocupação com exames laboratoriais, mas na escolha de alimentos anti-inflamatórios. Apesar da denominação “alimentos anti-inflamatórios” ser um termo moderno para um assunto tão velho, as pessoas continuam não prestando atenção. Ou, quando prestam atenção, curiosamente não se importam.

Para elaborar uma dieta anti-inflamatória, tudo que você tem que fazer é:– Consumir porções generosas de frutas, legumes e verduras.

– Procurar boas fontes de acido graxos Omega-3 (p.ex: peixes, peixes, peixes).

– Preferir cereais integrais (p.ex.: arroz integral).

– Buscar fontes magras de proteína (p.ex.: frango e peixes de novo).

– Optar por temperos que possuem propriedades anti-inflamatórias (p.ex.: molho curry, gengibre, alecrim, etc).

– Fugir de alimentos refinados, industrializados ou processados (p.ex: arroz branco, massas, açúcar, manteiga, etc).

Religião?

Não é preciso transformar a dieta numa espécie de religião. Mas pelo menos tenha estas prioridades em mente sempre que for fazer suas compras e refeições. Opere as mudanças que forem possíveis e coloque as impossíveis em sua agenda.

Um comprimido anti-inflamatório pode fazer efeito em poucas horas, mas uma dieta anti-inflamatória certamente levará mais tempo que isso para produzir resultados. Tenha paciência, disciplina e bom senso.

Ninguém vai viver para sempre, mas nem por isso você deve pegar um atalho apressando as coisas. Existem maneiras de ampliar seus anos de vida e a vida nos anos que lhe restam. Por isso a pergunta: se nada do que foi dito até aqui é novo para você, por que você ainda não mudou sua alimentação?

Espero receber sua resposta. Mande seus comentários e mãos à obra!

PS: Para melhorar a compreensão deste artigo, recomendo a leitura dos demais textos da série O Animal Humano: O Animal Humano, Uma Mesa de Quatro Pés, Os Administradores de Horas e A Comida e Você.

 

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