80% dos queijos minas vendidos em feiras são impróprios para consumo, diz pesquisa


 

80% dos queijos minas vendidos em feiras são impróprios para consumo, diz pesquisa


Por UnB Agência

Uma pesquisa realizada por aluno da Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade de Brasília aponta que queijos do tipo frescal comercializados em feiras livres e supermercados do Distrito Federal possuem bactérias causadoras de intoxicações alimentares e diarréias, como Escherichia coli e Staphylococcus aureus.

 

O estudo realizou uma análise microbiológica em 20 amostras de queijos, sendo dez de produtos industrializados e vendidos em comércios, como supermercados, e outros dez produzidos sem controle sanitário e comercializados em feiras livres. E identificou que 80% dos queijos informais possuem contaminação por Escherichia coli. Quem busca a qualidade e consome apenas produtos industrializados também precisa ficar atento: 40% das amostras foram consideradas impróprias para o consumo, com a presença de Staphylococcus aureus em níveis acima do permitido pela legislação.

 

Uma das amostras recolhidas em feiras livres apresentou 32 milhões de bactérias E. coli por grama de queijo. “Esse nível é altíssimo”, afirma Márcia de Aguiar Ferreira, professora da Faculdade de Agronomia e Veterinária e orientadora do projeto. Outra amostra apresentou 650 mil bactérias de S. aureus por grama . “Contagens acima de 500 bactérias representam risco à saúde”, explica a professora.

As amostras foram colhidas em São Sebastião, no Núcleo Bandeirante, no Guará, em Sobradinho e na Asa Norte. “Dividimos o mapa de Brasília em quatro regiões e e pegamos cinco amostras em cada uma delas”, conta o aluno Emanuel Pereira da Costa, responsável pelo estudo. “A escolha dos mercados e feiras foi aleatória. Mas tivemos o cuidado de verificar os produtos vendidos em locais de pequeno e grande porte”, explica o estudante.

A orientadora da pesquisa conta que a ideia era não restringir as amostras a poucas regiões. “A pesquisa usa uma amostra indicativa, que é usada pela Vigilância Sanitária para verificar problemas em produtos já comercializados”, afirma a professora. Outro tipo de amostra, a representativa, é geralmente utilizada nas indústrias.

Surpresa

“Sabíamos que encontraríamos problemas nos queijos que não passam por nenhuma fiscalização. Mas a surpresa veio com os que são controlados por órgãos do governo”, comentou a orientadora da pesquisa.

Emanuel também ficou surpreso com os resultados. “As amostras dos produtos que possuem controle de qualidade não deveriam ter apresentado essa análise micorbiológica”, considera. Para avaliar a qualidade dos queijos foram usados critérios do Ministério da Saúde, regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo as normas da agência reguladora, são tolerados no máximo 500 bactérias Escherichia coli e Staphylococcus aureus.

Márcia explica que como a produção é informal pode ocorrer manipulação excessiva. Como não há fiscalização, é impossível precisar se o leite, matéria prima do queijo, é pasteurizado. Se for, bactérias são eliminadas no processo. E a contaminação tem maiores chances de ser de origem humana. “A E. coli é de origem fecal, mas não dá para dizer se é humana ou animal”, comenta. “Já a S. aureus está presente nas mãos, na mucosa nasal e oral de pessoas e também nas mucosas de animais”, acrescenta. De acordo com a orientadora da pesquisa, os resultados indicam que os queijos foram feitos em locais ou por pessoas com grau de higiene insatisfatório.

Mais sobre o que podem causar as bactérias

E. Coli – Indica contaminação por fezes humanas ou animais. Pode causar apendicite, peritonite e colescistite. Pessoas contaminadas pela bactéria podem apresentar quadro conhecido como Síndrome Urêmica Hemolítica. O problema pode causar morte. Como prevenção é importante, principalmente, que manipuladores de alimentos adotem rotinas rigorosas de higiene, inclusive pessoal.

Staphylococcus aureus – Produz uma série de toxinas, que, quando ingeridas, provocam intensa infecção intestinal, com vômitos e diarréia. É uma das bactérias mais comuns na prática clínica e costuma colonizar a pele de até 15% humanos. Uma vez no sangue, o S.aureus pode atingir qualquer órgão, causando infecção das válvulas do coração, dos rins e dos ossos e pneumonia.

Por Thássia Alves – Yahoo!

 

 

Anúncios