Armadilha de Saber Demais


 

Armadilha de Saber Demais

Por Jim Mathis

 

Ted DeMoss, presidente emérito do CBMC, ocasionalmente comentava que determinada pessoa tinha “uma formação acima de sua inteligência”. Era sua maneira bem-humorada de descrever alguém que sabia muito mas pensava pouco. Em outras palavras, ele acreditava que conhecimento não trabalhado, poderia ser perigoso se usado descuidadamente.

 

Tenho visto isso em mim mesmo. No início de minha carreira abri um negócio de revelação de fotos. Não sabia absolutamente nada sobre revelação. Portanto, tinha que pensar cuidadosamente em tudo e descobrir tudo por mim mesmo, confiando no meu coração e minha intuição (hoje sei que aquilo era sabedoria vinda de Deus e não qualquer conhecimento real que eu tivesse). Essa abordagem intuitiva levou a soluções criativas, que fizeram meu estúdio destacar-se entre os concorrentes, resultando em grande sucesso comercial.

 

Anos mais tarde engajei-me em outro projeto. Eu me sentia muito bem preparado e apliquei as mesmas regras dos concorrentes. Apesar de ter adquirido mais conhecimento sobre a profissão, o negócio não era mais bem sucedido do que outros do mesmo ramo. Olhando em retrospecto, estou certo que isso se devia ao fato de não ter sido forçado a ser criativo na busca de novas e melhores maneiras de fazer as coisas. Nós confiamos em nosso conhecimento e nas práticas do nosso ramo. Aparentemente eu sabia demais, mas isto não me beneficiava.

 

Parece contraditório. Era de se esperar que quanto mais conhecimento sobre alguma coisa melhor. Mas as coisas nem sempre funcionam assim. Tomemos, por exemplo, Steve Jobs, a força criativa por trás dos computadores Apple. Duvido que ele tivesse iniciado a empresa se viesse de uma experiência com IBM, que usava abordagem diferente na solução de problemas tecnológicos. A falta de experiência em computadores de Jobs levou-o a pensar de maneira inteiramente nova, às vezes não ortodoxa, mas que se mostrou muito produtiva.

 

Na esfera espiritual somos exortados a confiar em Deus e não em nosso próprio conhecimento:“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e Ele endireitará as suas veredas” (Provérbios 3.5-6). Isso às vezes é difícil para veteranos do mundo empresarial e profissional, porque estão acostumados a buscar soluções tangíveis e mensuráveis para os problemas, em vez de agir pela fé. Contudo, é exatamente isto que Deus pede aos Seus seguidores.

 

Antes do período renascentista, do século XIV ao XVII, supunha-se que as pessoas eram essencialmente iguais. Se alguém fosse capaz de produzir algo na arte, na música ou na literatura, se devia a algum dom sobrenatural. Dizia-se que a pessoa “tinha” um gênio – habilidade divinamente conferida – e não que “era” um gênio. No Renascimento, entretanto, o pensamento humanista concluiu que o homem possuía criatividade própria, sem precisar de ajuda ou intervenção sobrenatural. Creio que esta linha de pensamento seja incorreta.

 

A Bíblia afirma que Deus concede ou não, dons e habilidades especiais. Assim, não deveríamos atribuir a nós mesmos demasiado crédito por possuí-los, nem nos sentirmos inferiores se não tivermos os dons que desejamos. Deus proporcionou a cada um de nós dons e talentos específicos, mesmo quando estes chegam até nós sob formas que não nos pareçam um dom. Se confiarmos Nele e em Sua direção, e não em nosso próprio conhecimento e entendimento, vamos nos descobrir usando e apreciando plenamente as habilidades exclusivas que Ele concedeu a cada um de nós. 

 

MANÁ DA SEGUNDA http://cbmc.org.br/mana.htm

 

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