Homo bionicus


 

Homo bionicus

Dr. Alessandro Loiola*/Especial para BR Press

 

  

(BR Press) – Paginando pela internet, esbarrei na notícia de um britânico de 51 anos, cego desde a juventude, que voltou a enxergar com a ajuda de um olho biônico. A peça consiste de um implante de receptores dentro do globo ocular, ligado a óculos especiais. Os óculos captam a imagem e enviam para uma seqüência de engrenagens externas, que repassam tudo para a retina e o nervo óptico, fazendo a pessoa enxergar.

 

Por enquanto, o homem consegue apenas ler palavras pequenas em uma tela especial. Acredito que os médicos tenham feito isso com o propósito de mostrar ao novo enxergante a conta do procedimento.

 

"Mão boba" 

               

Há pouco tempo, foi apresentada também uma mão mecânica capaz de reproduzir todos os movimentos de uma mão natural, além de transmitir sensações de calor, frio e tato. Curiosamente, o projeto – de nacionalidade italiana – foi batizado de SmarthHand. Em bom português, poderia ser conhecida como a famosa "mão boba".

 

Temos hoje lentes de contato de hidrogel de silicone, stents cardíacos (pequenas molas capazes de deixar as artérias coronárias desobstruídas); implantes cerebrais que aliviam os sintomas de depressão grave, epilepsia e tremores na doença de Parkinson; máquinas para diálise e circulação extra-corpórea; marca-passos, válvulas cardíacas, corpos cavernosos, orelhas e ouvidos artificiais.

 

Corações, pulmões e fígados artificiais

 

E estão em desenvolvimento e aperfeiçoamento corações, pulmões e fígados artificiais, além de implantes para melhorar o raciocínio e a memória. Existe até o projeto de um tradutor implantável para aplicação militar e diplomática. Imagine só: no futuro, a humanidade poderá continuar se desentendendo sem a necessidade de aprender um novo idioma. Um verdadeiro mimo.

 

Na fumaça destas tecnologias, surgiram jornais científicos sobre órgãos artificiais, uma Sociedade Européia de Órgãos Artificiais e uma Federação Internacional de Órgãos Artificiais, entre tantas outras entidades surrealistas voltadas para o assunto.

 

Vivemos um período realmente fantástico no mundo. A ciência vem produzindo verdadeiros milagres, salvando e restaurando vidas de um modo quase espetacular, apresentando conquistas que em outros tempos seriam consideradas pura bruxaria.

 

bastiões de ignorância

 

Apesar de todos estes avanços, graves bastiões de ignorância ainda persistem tanto dentro quanto fora da ciência.

 

De dentro da ciência, a ignorância de alguns que acham que explicaremos tudo. Jamais explicaremos tudo. Quanto maior o halo de luz do conhecimento, maiores as trevas de dúvidas que o circundam. Haverá sempre uma pergunta depois da próxima resposta. O cérebro humano pode ser um lugar muito grande, mas o universo provavelmente é um pouco maior.

 

Fundamentalistas

 

De fora da ciência, temos a ignorância que teima em sobrepujar o conhecimento com mitos, superstições e crenças fundamentalistas. Pessoas que falam sozinhas porque suas respostas em geral são as únicas que elas aceitam. Esperam uma salvação dos céus, enquanto desperdiçam a vida que está em suas mãos. Rezam por milagres, quando existem dentro de um.

 

Dizem que, de um modo geral, as idéias verdadeiramente boas e sensatas tendem a prevalecer no curso da história. Será que no futuro teremos próteses para a razão e marca-passos para o bom senso?

 

O homem bicentenário deverá nos responder.

 

(*) Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor, palestrante, autor de Vida e Saúde da Criança e Crianças em Forma: Saúde na Balança (www.editoranatureza.com.br). Fale com ele pelo e-mail aloiola@brpress.net ou pelo Blog do Leitor.

 

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