Na direção do sol


 

Na direção do sol

Dr. Alessandro Loiola*/Especial para BR Press

 

 

(BR Press) – Neste final de semana, comprei alguns cabos e liguei o computador na TV da sala. Show de bola! A sessão de estréia foi no YouTube, meu canal de TV favorito, assistindo a um documentário chamado Home. Imagens belíssimas, excelente trilha sonora, narração harmoniosa. Lamentavelmente, a produção refinada era apenas um pijama novo para o velho discurso da Paranóia Eco-verde, que vem assolando o mundo nos últimos 50 anos.

 

Eu era menino e diziam que a Amazônia desapareceria na próxima década. A próxima década chegou, e a década seguinte, e a seguinte, e nada. Todavia, na semana passada, notícia quentíssima no jornal: a Amazônia pode desaparecer na próxima década! Bom, de década em década, uma hora dessas alguém termina acertando.

 

O fato é que, no documentário, mencionavam algo que sempre achei fantástico: as plantas são os únicos seres vivos que se alimentam de luz e estão sempre crescendo na direção do sol. Não usam fator de proteção 50, não freqüentam clínicas de estética para esconder o fotoenvelhecimento, nada disso, não senhor. As plantas estão sempre buscando o sol.

 

Compartilhamos ancestrais em comum, nós e as plantas. São as arqueobactérias, minúsculos seres vivos que iniciaram sua jornada há mais de 3 bilhões de anos, quando nosso planeta não se parecia nem um pouco com o nosso planeta. As arqueobactérias cresciam à sombra de vulcões e gases tóxicos. Delas derivaram coisas tão distintas quanto você, eu, o mosquito da dengue e aquele pé de mamona no terreno baldio.

 

No decorrer do filme, fiquei imaginando em que momento da evolução decidimos nos distanciar tanto da serena sabedoria dos vegetais e nos tornamos produtos de gerações de neuroses. Uma parente próxima da Paranóia Eco-Verde, a Psicose da Saúde Perpétua, prega entre incontáveis outras sandices que você deve fugir da luz solar como o diabo da cruz.

 

Os riscos do astro rei são ensinados às criancinhas ainda na escola, e não irei me assustar no dia em os infantes estiverem sendo educados sob a ameaça de "se você não se comportar direito, vou deixar você dois minutos no sol!".

 

Divisão celular

 

Sim, o sol pode causar câncer na pele. Contudo, se formos um pouco mais a fundo neste assunto, veremos que a divisão celular também pode causar câncer na pele. A bem da verdade, a divisão celular é a responsável direta por TODOS os tumores malignos. Ao invés de evitar a exposição ao sol, que tal então interrompermos de uma vez por todas as divisões celulares?

 

Melhor não inventar muito, senão algum laboratório compra a idéia e logo estará pagando gordas comissões ao balconista da farmácia para vendar "bloqueadores de divisão celular de última geração – agora também em embalagens coloridas nos sabores limão, laranja e morango".

 

Radiação ultravioleta

 

Nossa estrela vizinha emite uma quantidade considerável de radiação ultravioleta (RUV), e os estudos sugerem que a incidência desta radiação e seus malefícios parecem estar aumentando, possivelmente graças ao buraco na camada de ozônio descoberto pelos profetas do apocalipse.

 

Quando ouvi alguns cientistas dizerem que o buraco na camada de ozônio estava parcialmente relacionado a flatos de bovinos e sprays de cabelo, respirei aliviado. Pelo menos nessa parte estou eximido de qualquer culpa: não tenho bois, nem cabelos.

 

O sol não é o vilão. Toda a vida no planeta – incluindo a sua – depende dele. Por exemplo: você não é capaz de viver sem vitamina D. Um banho saudável de luminosidade 15 minutos pela manhã estimula o corpo a produzir toda a vitamina D necessária pelo restante do dia. Sem vitamina D, seu intestino não absorveria cálcio. E sem cálcio, adeus ossos e músculos. A luz do sol também é um santo remédio contra fungos e depressão.

 

Como em inúmeras outras situações na vida, o segredo está no equilíbrio. Sempre que puder, aproveite ao ar livre o período entre as 7 e as 10 horas da manhã e após as 3 da tarde. Se você tem a pele muito clara, aplique um protetor no período das 10 às 15h.

 

Tome bastante líquido e não caia na conversa da turma Psicose da Saúde Perpétua: antes viver 80 anos iluminados sob o sol, que 160 escondidos no medo e na ignorância.

 

  *Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor e palestrante. Autor de, entre outros livros, "Para Além da Juventude – Guia para uma Maturidade Saudável" (Editora Leitura). Fale com ele pelo e-mail aloiola@brpress.net

 

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