Padrão de Ensino da Coréia, é tudo o que o Brasil precisa


 

Coréia busca ensino ainda melhor

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O modelo de educação da Coréia do Sul, apontado como exemplo a ser copiado pelo Brasil, tornou-se alvo de críticas internas e de forte pressão dos coreanos, que exigem ainda mais qualidade nos métodos de ensino. Acostumados a jornadas de 11 a 12 horas de estudos por dia, crianças e jovens coreanos cada vez mais buscam em grandes países do Ocidente a educação que não encontram na Coréia. Nos últimos anos, o governo estimulou a adoção de currículos mais humanísticos para o ensino médio – o equivalente à 7ª e 8ª séries e ao primeiro ano do secundário no Brasil. Não foi suficiente. Os pais exigem uma formação mais universal e mais voltada às exigências de um mercado cada vez mais evoluído tecnologicamente.

 

As novas pressões, entretanto, não desmerecem o alto nível da educação na Coréia e seu papel central no salto dado pelo país, em termos de desenvolvimento econômico e social, nos últimos 40 anos. O modelo educacional coreano continua a ser um exemplo louvável para o Brasil, que ainda tem na educação sua principal trava ao desenvolvimento.

 

Na Coréia, o analfabetismo não alcança 2%, quase 100% das crianças estão na escola e perto de 8% da população – 3,6 milhões de pessoas – cursa a universidade. Em 1970, apenas 0,62% dos coreanos chegava ao ensino superior.

 

O salto desse país no plano educacional começou em 1953, com o fim da guerra que devastou o país e o dividiu em duas nações e com o conseqüente aumento da taxa de natalidade. O ensino básico tornou-se obrigatório a partir dos seis anos. Para o professor Kim Young-Chul, do Instituto Coreano de Desenvolvimento da Educação, a evolução desse setor dependeu de um tripé – a diminuição progressiva do número de alunos por classe; a qualificação conferida aos professores; e as demandas dos pais, que passaram a pressionar o governo.

 

Na Coréia, há pelo menos três diferenças acentuadas em relação às práticas no Brasil. Primeiro, a carreira de professor tem valor e prestígio. Um iniciante em escola fundamental recebe cerca de US$ 1.500 por mês e tem a segurança de uma aposentadoria bem mais polpuda que a dos demais profissionais do país. Segundo, não há reprovações por nota no ensino fundamental e médio, apenas por faltas às aulas. Notas baixas – menores que 70, em uma escala de 0 a 100 – são compensadas com aulas de reforço.

 

Terceiro, mesmo as universidades públicas cobram mensalidades nada adocicadas – cerca de US$ 2 mil por semestre.

 

 

 

Entretanto, uma parte dos resultados da Coréia nesse setor não pode ser creditada ao ensino oficial. A complementação diária dos estudos em instituições privadas – e caras – tornou-se elemento essencial nas últimas décadas. Antes de alcançar a universidade, a maioria dos estudantes da Coréia enfrenta seis horas diárias de aulas nas escolas formais, mais cinco a seis horas em institutos privados. A conta alta leva os pais a cobrá-los duramente por resultados.

 

Lee Sung Hyon, de 14 anos, não esconde que preferiria jogar futebol a passar 11 horas por dia estudando. “Meus pais não deixam”, afirmou esse estudante do 1ª ano do ensino médio que sonha seguir a carreira de matemático e pretende estudar nos Estados Unidos.

 

Assim como Lee, seus colegas Kim Min Kyo e Byon Jin Hoon enfrentam a mesma rotina no colégio público Sillim e geralmente gastam o curto tempo livre com jogos no computador. Localizado em um bairro de classe média baixa de Seul, o colégio conta com um bem equipado laboratório de química, uma biblioteca com 7.500 volumes, um refeitório com capacidade para atender os mil alunos por dia e, claro, um campinho de futebol.

 

(O Estado de S.Paulo)

 

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