Viciados em Conduta


 

Os viciados em substâncias ou condutas

Por Agência EFE

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Ter uma dependência nos dias de hoje é um risco a que qualquer um está exposto, embora nem todas as dependências sejam iguais. Não é a mesma coisa ser viciado em uma substância, como o álcool e as drogas, ou o sexo, o jogo e as compras, apesar de as consequências poderem ser graves em todos os casos.

 

A grande maioria das pessoas adultas já tomou um copo de bebida alcoólica alguma vez em sua vida, embora isso não queira dizer que sejam alcoólatras. Também são inúmeros os que tomaram drogas para aumentar os momentos de euforia, seja ocasionalmente ou sistematicamente. Há quem precise fazer amor todos os dias e todas as horas. Outros gastam o salário em todos os jogos de azar possíveis, ou mesmo comprando coisas inúteis.

 

As dependências hoje em dia são muito variáveis e todos estamos expostos a elas. Embora nem todas sejam iguais, as consequências de uma dependência podem ser igualmente graves e perigosas em todos os casos. Como se fosse pouco, o conceito de "cura" não se aborda neste âmbito, segundo afirma José Antonio Molina, psicólogo que tem uma experiência de 15 anos em tratamento de dependências. "Falamos de recuperação, melhora, evolução propícia, já que as dependências têm uma cronicidade, por razões tanto neurobiológicas quanto psicológicas. Ou seja, não podemos voltar a consumir a substância da qual desenvolvemos uma dependência, já que retornaríamos aos padrões anteriores de consumo de forma rápida", diz Molina.

 

Os especialistas em dependências distinguem dois tipos delas: com substância ou sem substância. As primeiras se referem às drogodependências (cocaína, álcool, heroína) e as segundas são fundamentalmente psicológicas (dependência ao sexo, ao jogo, às compras).

 

Transtornos mentais

 

O vice-presidente da Sociedade Espanhola de Patologia Dual, Pablo Vega, disse em Madri que 25% dos 80 mil espanhóis em tratamento por sua dependência às drogas ou ao álcool são "realmente" adultos com um Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) sem diagnosticar, e que, se essas pessoas tivessem sido diagnosticadas corretamente na infância "nunca teriam corrido o risco de sofrer de transtornos mentais associados ao consumo de certas substâncias".

 

O especialista assegura que quem sofre de TDAH sem diagnosticar recorre às drogas diante do fracasso de sua integração social e, que 30% deles desenvolvem patologias mentais graves. A cocaína é o principal vício.

 

Segundo um relatório recente da associação sem fins lucrativos Narcóticos Anônimos (NA), 81,3% de quem participa das sessões de tratamento da organização, em sua maioria politoxicômanos, reconhece que a cocaína era sua droga preferida, seguida do álcool (66,1%), da heroína (42%) e da maconha (36,2%).

 

José Antonio Molina assegura que "os dados mais confiáveis na Espanha provêm do PND (Plano Nacional sobre Drogas), que indicam que de cada dez pacientes que foram a consultas em 2008, cinco acusaram problemas de consumo de cocaína, três, alcoolismo, um, heroína, e outro de outras substâncias (derivados da maconha, anfetaminas, tranquilizantes etc.)".

 

"Atualmente não falamos de setores mais vulneráveis para desenvolver uma dependência, mas sim o condicionado ao tipo de substância consumida. Por exemplo, setores socialmente mais pobres tendem ao consumo de substâncias como heroína ou inalantes – como colas -", acrescenta Molina.

 

O especialista diz que atualmente tiveram uma forte queda de consumo substâncias como a heroína, e que por isso o número de necessitados de tratamento caiu consideravelmente, sendo a principal droga atualmente a cocaína. Sobre as razões que influem no início no consumo de substâncias e por que há pessoas que desenvolvem uma dependência e outras não, Molina cita os "modelos familiares, os fatores sociais, as variáveis pessoais, as características sociodemográficas, o custo econômico da dependência, a disponibilidade do sujeito e a pressão social ao consumo".

 

Ludopatas e internautas

 

Em relação às dependências sem substância, Molina revela que atualmente as pessoas que as sofrem não costumam procurar um psicólogo, exceto os que sofrem de ludopatia (vício em jogo). "Outras condutas compulsivas como a utilização abusiva da internet costumam vir junto com outras patologias, como um déficit nas relações sociais, e outras, como a dependência ao sexo, e em muitas ocasiões estão vinculadas ao consumo de drogas, como a cocaína", acrescenta.

 

Um manual de diagnóstico elaborado por vários psicólogos chineses do Hospital Geral Militar de Pequim estabelece que a dependência à internet passará de ser um mal hábito para figurar entre as "patologias clínicas" como o alcoolismo e a ludopatia. Os sintomas principais dessa conduta compulsiva, que tanto preocupa as autoridades do gigante asiático e que foram publicados pelo jornal oficial "China Daily", são a navegação pela internet durante mais de seis horas por dia, em vez de trabalhar ou estudar, e a tensão e o tédio gerados no usuário quando não pode se conectar à rede.

 

O manual indica que os internautas viciados dividem seu tempo em cinco atividades: jogos online, visita a páginas pornográficas, redes sociais virtuais, compras pela internet e navegação em geral. Uma pesquisa realizada em 2007 pela companhia InterActiveCorp revelou que 42% dos internautas chineses (cerca de quatro milhões) se confessaram viciados na rede, frente a 18% dos americanos.

 

Comprar por comprar

 

Enquanto isso, os "viciados em compras" não serão afetados pela crise econômica atual, na opinião de José Olcina, psiquiatra da Unidade de Dependências do Hospital Casa de Saúde de Valência (leste da Espanha), que aconselhou "comprar o que precisar, porque coisas demais são desnecessárias". Geralmente, as pessoas que sofrem e praticam alguma conduta de vício o fazem como válvula de escape e, em tempos de crise, continuarão fazendo o mesmo, do mesmo modo que os que compram pelo mero prazer de consumir", diz Olcina.

 

Segundo o especialista, a crise "influi e todo mundo deixará de fazer o que não pode se permitir, mas, provavelmente, o grupo que mais vai se ressentir vai ser aquele que tem o hábito de comprar por comprar, do qual faz parte muita gente sem ser viciada". "A dependência às compras é mais frequente do que se tende a acreditar, afetando mais as mulheres", assegura Olcina, acrescentando que o risco de dependência às compras vem associado ao conceito de compra desnecessária.

 

As causas do aumento na frequência das compras que podem desembocar em uma conduta de vício vão desde a solidão e o vazio existencial até ter uma personalidade impulsiva e insegura. "Se for detectada esta dependência em um parente ou amigo, o principal é se interessar pela pessoa, não pela conduta de compras que realiza, pois por trás de todo este problema há um ser que sofre", adverte o psiquiatra.

 

A vigorexia

 

Entre as novas dependências está a vigorexia, que consiste em uma dedicação desmesurada ao exercício físico. "Os fatores socioculturais de culto ao corpo estão influindo no desenvolvimento da dependência ao exercício físico", segundo José Antonio Molina. "A característica fundamental da vigorexia é a associação entre a beleza e o aumento da massa muscular, o que induz o viciado a passar um grande número de horas do dia na academia", acrescenta.

 

A dependência ao exercício físico é acompanhada de uma dieta rica em proteínas e carboidratos para aumentar a musculatura do corpo, sendo frequente o consumo de anabolizantes e esteróides para aumentar as proporções corporais. A ingestão destes produtos não é nada recomendável de um ponto de vista clínico, pois existe o risco de se sofrer alterações hepáticas, cardíacas, bruscas mudanças de humor. "Existe uma distorção da imagem corporal no vigoréxico que se vê como fraco e doente, ao contrário do que acontece no anoréxico nervoso, que se autopercebe com proporções corporais sobredimensionadas", conclui Molina.

 

Destaques:

 

– Os especialistas em dependências distinguem dois tipos delas: com substância ou sem substância. As primeiras se referem às drogodependências (cocaína, álcool, heroína) e as segundas são fundamentalmente psicológicas (dependência ao sexo, ao jogo, às compras).

 

– Por razões tanto psicológicas quanto neurobiológicas, o viciado não se cura, já que sua patologia é crônica, embora possa melhorar, recuperar-se ou evoluir favoravelmente.

 

– Um manual de diagnóstico elaborado por vários psicólogos chineses do Hospital Geral Militar de Pequim estabelece que a dependência à internet passará de ser um mal hábito para figurar entre as "patologias clínicas" como o alcoolismo e a ludopatia.

 

Por Javier Parra.

 

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