Sonho de toda miss: A paz mundial!


 

Mulheres unidas na luta contra a balança

Grupo de mulheres israelenses e palestinas se unem com o objetivo comum de emagrecer e mostram que, por amor e acima da guerra, é possível quebrar preconceitos

 

 

 

 

 

 

 

Por Michelle Vargas

 

O conflito israelo-palestino é a designação dada à luta armada entre israelenses e palestinos, sendo parte de um contexto maior, o conflito árabe-israelense.

 

As raízes remotas do conflito remontam aos fins do século XIX quando colonos judeus começaram a migrar para a região. Sendo os judeus um dos povos do mundo que não tinham um Estado próprio, tendo sempre sofrido por isso várias perseguições, foram movidos pelo projeto do sionismo – cujo objetivo era refundar na Palestina um estado judeu. Entretanto, a Palestina já era habitada há séculos por uma maioria árabe.

 

Desde então, o mundo assiste intermináveis batalhas motivadas por crenças, fanatismos e motivos justificáveis somente para quem faz parte delas. Tentativas de tratados de paz já foram tantas que parece que ninguém mais tem vontade – ou paciência – suficiente para resolver. Na verdade, resta a dúvida se de fato existe uma solução que agrade à gregos e troianos, ops, israelenses e palestinos.

 

No entanto um objetivo universalmente comum às mulheres, pode fazer com que as palestinas, israelenses, árabes, beduínas e americanas encontrem-se uma vez por semana, apoiem-se e mantenham uma relação de amizade e companheirismo: a perda peso.

 

Praticamente um  milagre

 

Assentadas na Cisjordânia essas mulheres são reunidas com o objetivo comum de perda de peso, descobrir que têm muito mais em comum do que elas jamais teriam imaginado. O grupo ‘A Slim Peace’ (‘Uma Paz Magra’) já rendeu um documentário aplaudido em prestigiados festivais como o de Tribeca, em Nova York. O filme revela uma olhada na luta pela aceitação universal, a compreensão e transformação pessoal em terra de um conflito intratável.

 

Desde o início de outubro, esse grupo ainda se reune com o intuito de emagrecer. Durante o período de dieta, elas se reúnem semanalmente para conversar sobre suas evoluções e dificuldades, além de receber noções de nutrição saudável e exercícios físicos.

 

Para a idealizadora do projeto e diretora do filme, Yael Luttwak, a principal conquista do grupo foi superar antigos preconceitos. "Várias delas descobriram que têm mais em comum entre si do que com suas vizinhas em cada lado da fronteira", comemora Yael.

 

O documentário

 

Dirigido e co-produzido pelo cineasta Yael Luttwak, o filme estreou no Tribeca Jerusalém e nos festivais de cinema. O documentário segue um grupo de mulheres que vêm de disparidade social, política, econômica e religiosa. Todas as mulheres vivem na mesma localidade, mas nunca entraram em contato umas com as outras.

 

As reuniões realizaram-se na Cinemateca, perto da fronteira entre as duas comunidades em Jerusalém Oriental. ‘A Slim Peace’ vê se algo tão universal quanto possível utilizando do trunfo da reeducação alimentar quando consegue aproximar essas mulheres, fazer com que elas entendam e superem todas essas diferenças no momento de se apoiarem na luta contra a balança.

 

Luttwak forma um grupo semanário de perda de peso, liderado por nutricionistas palestinos e israelenses do famosso Hospital Hadassah. O documentário foi filmado em Jerusalém ao longo de seis semanas, entre janeiro e fevereiro de 2006 contra o pano de fundo político tumultuoso. Com enfoque em uma zona de guerra, este filme permite que o telespectador tenha uma visão única na vida dessas mulheres. A partir da tensão inicial, pode-se ver surpreendentes conexões desenvolverem-se no seio do grupo e assiste-se as reuniões seguintes com as mulheres em seus lares e mundos distintos.

 

‘A Slim Peace’ é um filme sensível, incomum, divertido e acima de tudo, profundamente humano ao retratar a imagem das mulheres de ambos os lados da fronteira.

Mulheres unidas na luta contra a balança

Grupo de mulheres israelenses e palestinas se unem com o objetivo comum de emagrecer e mostram que, por amor e acima da guerra, é possível quebrar preconceitos

 

 

A pacificadora

 

Yael Luttwak é graduada pela ‘London Film School’, com especialização em direção. Dois dos seus outros curta-metragens foram premiados como melhores filmes da ‘London Film School’, além de nomeados por inúmeos festivais. ‘A Slim Peace’ é seu primeiro documentário com comprometimento social.

 

A seguir uma entrevista de Yael:

 

– O que a inspirou rodar ‘A Slim Peace’?

 

Eu cresci acreditando na solidificaçao de um Estado judaico. Com 21 anos, depois de formada pela Universidade de Rochester me juntei forças armadas israelitas, estava empenhada.. Meus soldados eram da guerrilha do Hezbollah; eu nunca matei ninguém, mas era uma boa instrutora. Às vezes pergunto-me como sou responsável pela morte de outras pessoas. Terroristas ou não, de auto-defesa ou não, é horrível de qualquer maneira

 

Terminei o serviço militar e tenho trabalhado no cinema e na televisão desde então. Em 2000, continuei a viver em Israel e produzi um talk show televisivo com adolescentes israelenses e palestinos. Pela primeira vez, fiquei com amigos palestinos. Ou seja, foi quando a mudança aconteceu., até estava relutante em falar sobre meu serviço militar com esses novos colegas.

 

– Como é que vocês fazem a ligação entre a perda de peso e a paz?

 

No mesmo ano da filmagem, eu perdi dez quilos e nós perdemos o acordo de paz Camp David. Eu liguei os dois: perder peso e fazer a paz. Talvez seja esta a solução. Talvez se todos nós nos sentimos melhor e mais saudável com nós mesmos, encontraremos vontade para criar um mundo melhor. Fiz um filme para descobrir como era criar meu próprio grupo de perda de peso e como isso poderia ajudar.

 

Eu estava interessada em explorar temas em torno de alimentação, comer, peso, o corpo das mulheres em ambas as culturas judaica e muçulmana. Obviamente, no centro do filme é o tema da empatia. Os dois grupos de mulheres que vivem tão próximos uns dos outros, mas que normalmente nunca falam, reduziriam suas barreiras? O dispositivo através do qual elas são incentivadas a fazer isso é íntimo.

 

– Como você convenceu as mulheres de ambos os lados a entrar para o grupo?

 

O grupo seguiu boas práticas e princípios seguidos de um curso planejado pelos facilitadores, os chefes de nutrição do Hospital Haddassah. Estávamos oferecendo um ótimo programa realmente!

 

Também foi muito importante para o grupo que o local fosse neutro, de modo que todas as mulheres se sentissem em condições de igualdade. Com isto em mente, eu escolhi a Cinemateca, em construção em Jerusalém Oriental. Das catorze mulheres, fiz uma tentativa para escolher um grupo equilibrado. Eu particularmente desejava focar em vozes que normalmente nunca falam uns com os outros. Das catorze mulheres, eu estava focada em quatro posições: existe uma beduína, a voz de uma geração mais velha, uma mulher judia que nasceu e cresceu em Jerusalém, um casal de judeus americanos e de Bat Ayin Gush Etzion para fornecer a voz de uma geração mais jovem e, finalmente, uma muçulmana árabe a partir de Ramallah para completar o quadro

 

– O que você faz com os resultados do grupo e do filme?

 

A extraordinária e divertida gama de resultados não são simplesmente interessantes para platéias muçulmanas ou judaicas, mas os temas da antipatia e empatia fazem deste filme algo de interesse para as audiências familiarizadas com qualquer conflito.

 

 

 

 

Eu sabia, nós mulheres iremos pacificar o mundo porque os brigões dos homens não conseguem, nossa causa é muito maior do que qualquer petróleo bobo ou a besteira de bolsa de valores: sermos magras!!!!!!!

 

E tudo por causa da eterna luta  do único olhar que nos importa: a balança e o ponteiro dela estar bem baixinho… 

itodas 

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