O rei estava nu


 

O manto da graça 

 

 

Durante anos possuí um elegante terno e um chapéu. Considerava-me totalmente garboso nesse conjunto e estava certo de que os outros eram da mesma opinião.

 

As calças talhei-as dos tecidos das minhas boas obras, fortemente ungidas de trabalhos realizados e projetos completados. Muita gente elogiava as minhas calças e, confesso, eu tinha a tendência de puxá-las em público para que as pessoas pudessem notá-las.

 

O paletó era igualmente impressionante, tecidos das minhas convicções. A cada dia eu me vestia em profundo sentimento de fervor religioso.

 

Para dizer a verdade, muitas vezes eu era solicitado a exibir o meu traje de zelo em público, a fim de inspirar a outros. Eu claro, consentia feliz.

 

Enquanto isso, tinha também de expor meu chapéu, um quepe emplumado de sabedoria, feito por minhas próprias mãos, tecido com fibras de opinião pessoal.

 

“Certamente Deus está impressionado com minhas vestes”. Pensava eu com freqüência, mas Ele nunca falava. “Seu silêncio deve significar admiração”. Convenci a mim mesmo.

 

Mas então meu traje começou a deteriorar-se. O tecido das minhas calças esgarçou-se, minha melhor obra…

 

O que eu fazia já não podia concluir e isto já não me constituía motivo de orgulho.

 

Mas pensei: “Não há problema, vou trabalhar dobrado!” Isto também era um problema, havia um buraco em meu paletó de convicções, minha determinação estava puída, um vento frio golpeou-me o peito.

 

Agarrei meu chapéu e puxei-o firmemente, mas aquela obra rasgou-se em minhas mãos.

 

Após algum tempo, meu traje de justiça própria desfez-se completamente e de cavalheiro vestido sob medida passei a mendigo esfarrapado.

 

Receando com o que Deus pudesse pensar a respeito de meus trapos, remendei-os o melhor que pude e cobri meus erros. Porém não foi o bastante.

 

E o vento era gelado. Desisti.

 

Voltei-me para Deus (o que mais poderia fazer?).

 

Voltei-me não procurando aplausos, mas aconchego.

 

Minha oração: _”Sinto-me nu!”

_ “Você está nu e tem estado assim por muito tempo”, Ele me disse.

 

O que Ele fez a seguir, jamais esquecerei.

_Tenho algo para lhe dar.” Disse-me.

E gentilmente removeu o restante dos trapos e apanhou-me um manto, um manto real, uma veste de sua própria bondade. Colocou-o em torno de meus ombros. Suas palavras soaram cheias de ternura:

“Meu filho, agora você está vestido de Cristo” (Gl 3:27).

_ “Vista-se unicamente da Justiça de Deus, irrepreensível diante do trono”.

 

Enviado por Sarah Barbosa, da Célula “Gideão I” – Inform Ágape.

 

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