Softwares Gratuitos para Deficientes


 

Conheça alguns softwares gratuitos

 

foto: FFFFOUND!

 

Por Gustavo Miller e Bruno Galo

 

São Paulo, 16 (AE) – Antonio Borges costuma dizer que ele e sua equipe – que já mudou várias vezes em mais de 15 anos de atividade – são mais do que pioneiros na área da tecnologia assistiva no País. "O mais importante nos nossos softwares é que eles são simples e gratuitos. A tecnologia que produzimos modifica a vida das pessoas", diz.

 

Atualmente, Borges coordena os projetos de acessibilidade do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O DosVox, programa desenvolvido em 1993 com cerca de 20 mil usuários no País, busca criar um ambiente operacional completo para deficientes visuais e traz um leitor de tela simples.

 

Além do DosVox, o professor Borges e sua equipe – composta atualmente de cinco pessoas, sendo uma não deficiente, duas cegas, uma tetraplégica e uma com paralisia cerebral -, criaram vários outros softwares inclusivos.

 

O primeiro deles, o Motrix, desenvolvido a partir de 2002, foi pensado para pessoas com deficiências motoras graves, como tetraplegia e distrofia muscular. Funciona por meio de comando de voz, possibilitando inclusive a redação de textos.

 

Ricardo Souza, de 26 anos, diretor da ONG carioca Espaço Novo Ser, é tetraplégico desde 1997. "No começo é um pouco complicado ter de soletrar as letras no Motrix, mas agora eu já consigo fazer isso rapidinho", diz.

 

Há ainda o MicroFênix, desenvolvido a partir de 2004, para pessoas que, além de apresentarem deficiência motora grave, possuem a fala comprometida. Todos os softwares desenvolvidos pela equipe de Borges estão disponíveis para download gratuito no endereço: http://intervox.nce.ufrj.br. Atualmente eles trabalham no desenvolvimento de um software para deficientes visuais para ser usado no celular, o CellVox.

 

Existem algumas outras iniciativas nacionais voltadas para a criação e disponibilização de programas gratuitos para pessoas com deficiência. No site do Ministério das Comunicações (www.mc.gov.br) é possível fazer o download de um software leitor de tela, desenvolvido pela Fundação CPqD, de Campinas.

 

Já no site http://www.surdobilingue.org é possível baixar um software livre feito para educadores alfabetizarem alunos surdos em português. Também voltado para os deficientes auditivos, o http://www.acessobrasil.org.br/libras disponibiliza para consulta um dicionário da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

 

No exterior, há uma infinidade de iniciativas. A mais recente foi a de um avô que desenvolveu um navegador especial para o seu neto autista usar a internet. Ele está disponível para download no endereço http://www.zacbrowser.com.

 

Já os softwares CameraMouse (www.cameramouse.org) e HeadDev (http://tinyurl.com/5nb3y9) são programas voltados para pessoas com mobilidade reduzida e permitem o controle do cursor do mouse no monitor apenas com o movimento da cabeça.

 

Já o Eugénio, disponível na Rede Saci em http://tinyurl.com/58dnel, é um software que, ao sugerir palavras, tem o objetivo de acelerar o processo de escrita de pessoas com limitações motoras.

 

Entre as opções nacionais não tão caras, um dos destaques é o Mouse Ocular, criado pelo professor Manoel Cardoso, da Fundação Desembargador Paulo Feitosa, em Manaus. "Queremos recuperar a auto-estima das pessoas com deficiência. A expectativa de vida é algo físico", afirma Feitosa.

 

O mouse, vendido apenas para empresas, funciona através de eletrodos ligados a um módulo eletrônico conectado a um computador. Os eletrodos são colocados na testa e na região dos olhos do deficiente e funcionam como mouse a partir de movimentos oculares e piscadas.

 

A traquitana vem sendo testada na UTI da pediatria do Hospital do Mandaqui, na zona norte de São Paulo, desde o final de fevereiro. Mateus, de 5 anos e tetraplégico, está aprendendo a movimentar o mouse. No futuro, espera-se que ele possa brincar com joguinhos virtuais, escrever seu nome e até navegar na web. Quem o orienta é o professor voluntário e estudante de pedagogia, Alberto Eduardo Rego Lins, que vai todas as sextas-feiras ao local.

 

"O aparelho é barato, custa cerca de R$ 200. A dificuldade é encontrar mais profissionais capacitados para serem voluntários", diz Maria Teresa Torgi Alves, gerente de pediatria do Hospital do Mandaqui.

 

Para as pessoas com deficiência auditiva há ainda os aparelhos telefônicos da Koller. A empresa pretende lançar no segundo semestre desse ano um novo modelo de telefone residencial, o Surtel Jr., a R$ 500.

 

Há ainda empresas como a Laratec, a Techaccess e a Tec Assistiva, que importam e revendem o que há de mais moderno em termos de hardware e software para pessoas com deficiência. Devido ao alto preço dos produtos e dos custos de importação, elas priorizam o mercado corporativo, impulsionado pela Lei de Cotas.

 

(Agência Estado) via Yahoo!

 

 

 

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