Hormônio da Saciedade


 

Hormônios intestinais que ‘emagrecem’

Todo ser humano sabe identificar a sensação de fome. Ela está claramente ligada ao estômago vazio. Expressões populares como "meu estômago está roncando de fome", ou "estou com um buraco no estômago" são evidências de que as pessoas podem facilmente associar o estômago vazio com a necessidade de alimentar-se. Tão evidente quanto à manifestação da fome é a sensação de saciedade após uma refeição adequada.

 

Os chineses mantêm até hoje um hábito secular. Depois de servir um banquete de 21 pratos (carne, peixe, frango, ninho de andorinhas, barbatanas de tubarão, cristas de galo, etc.) os anfitriões trazem à mesa uma tigela com arroz branco. O arroz simboliza o prato diário, o alimento comum de todas as refeições, comida corriqueira, simples, presente em todos os lares. Os convidados saciados devem colocar a mão no estômago e dizer: "Obrigado pelo banquete. Nem mais um grão de arroz eu poderia comer!" Assim, além de manifestarem agradecimento e gentileza aos anfitriões que serviram o banquete, os chineses demonstram com gestos e palavras como reconhecem a "saciedade".

 

Mas colocar comida no estômago é apenas o início do processo que faz a fome desaparecer. De acordo com estudiosos da nutrição, fatores químicos gerados no estômago e no tubo digestivo informam o cérebro de que muitas calorias e nutrientes começam a ser absorvidos nesse processo. Daí a sensação de fome ir desaparecendo.

 

O hormônio que informa sobre a fome

O hormônio Ghrelina é produzido no estômago sempre que este órgão fica vazio, ou seja cerca de duas ou três horas depois da última refeição. Se uma pessoa fica sem ingerir nada por quatro, oito ou mais horas, a concentração de Ghrelina sobe de forma exponencial. Esse hormômio vai aos centros do cérebro e estimula a sensação de fome. Isso indica aos centros corticais superiores que está na hora de comer alguma coisa. Se a pessoa insiste em não se alimentar a esse primeiro sinal, a produção de Ghrelina eleva-se cada vez mais com maior estimulação da fome.

 

Se a pessoa passou muitas horas sem comer nada – e hoje é comum pessoas ficarem o dia todo ocupadas em tarefas profissionais sem almoçar, por exemplo –, no momento em que sentarem para fazer uma refeição a concentração de Ghrelina estará tão alta que ela direcionará todo o conteúdo calórico ingerido para ser transformado em gordura.

 

Resultado: ganho de peso contínuo. A pessoa passa horas – às vezes o dia todo – sem comer, faz apenas uma refeição ao dia e engorda sem parar. Por isso a recomendação de médicos e nutricionistas de várias refeições leves ao longo do dia. É uma forma de manter a Ghrelina sempre em níveis normais.

 

Substâncias que avisam sobre saciedade

Após a chegada do alimento ao estômago e a secreção de Ghrelina abolida, o alimento semidigerido passa ao intestino delgado (duodeno e íleo). Neste segmento do aparelho digestivo existem células secretoras de duas substâncias químicas denominadas por siglas: o PYY e o GLP-1. São peptídeos, isto é, moléculas pequenas constituídas por uma seqüência de aminoácidos. Quando o "bolo" alimentar chega ao duodeno, o estímulo para a secreção de PYY e GLP-1 estará sendo fornecido às células intestinais que são responsáveis por sintetizar estes dois hormônios.

 

Tanto o volume do alimento quanto a qualidade dos nutrientes são importantes para que o estímulo seja adequado. Os pesquisadores que estudaram este mecanismo indicam que já no meio de uma refeição balanceada as duas substâncias PYY e GLP-1 iniciam elevação progressiva que atinge o ápice entre 60 e 90 minutos após a ingestão de comida. Ambos os peptídeos vão até os núcleos da fome e saciedade e "desligam" a fome estimulando a saciedade.

 

Comer devagar é fundamental

Mas atenção: quem come muito depressa, devorando o prato cheio em dez minutos não terá tempo para que os hormônios (PYY e GLP-1) iniciem sua mensagem de saciedade no cérebro. O resultado é bastante óbvio: o apressado vai repetir o prato, pois o cérebro não teve tempo de receber a mensagem de saciedade. Recomendações: comer devagar, deixar o garfo ao lado do prato, fazer uma pausa entre duas garfadas, dar tempo para que os PYY e GLP-1 mandem mensagem de saciedade aos centros superiores.

 

Entender como o corpo funciona aos sinais de fome e saciedade é fundamental para que possamos adequar nosso estilo de vida e nossos hábitos alimentares à busca de saúde e boa forma. Nada de passar o dia todo com cafezinhos, pular almoço, permanecer em jejum. Faça as refeições tradicionais, coma bem devagar, mantenha conversação à mesa. Tenho a certeza de que terá melhor digestão e, o que é mais importante, o seu peso vai variar para baixo.

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